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Em mudanças

21 May, 2019

E boas.
Gostamos da palavra, mas receamos por natureza. Pedimos ar fresco, mas não sabemos agir a essa brisa. Pedimos essa agitação, esse coração acelerado, esse nervosismo e essa leve veia radical – ou meia que selvagem – de querer fazer-acontecer, mas questionamos e quase desistimos quando o mundo nos dá tal e qual o que pedimos – quando percorre 180º por nós.
Vamos desacelerando ao longo da vida, e vamos ao mesmo tempo percebendo que só chega até nós o que fazemos agitar. O que abanamos com força. Sabemos lá nós o que vem depois. E qual seria a graça de o prever? De planear cautelosamente o próximo passo e calcular cada ponto menos bom do percurso? Agita(-te), e se tropeçares no teu próprio pé, o mundo não pára. Aprendes a adaptar-te nesse jogo estimulante.
Até a ti, chega o que tem de vir. Não vale a pena querer todas as mudanças do mundo de uma vez – elas chegam uma a uma. E é assim que tem de ser. É assim que a vida vale a pena – leve e com espaço para sentir esse pequenino histerismo em pequenas dosagens. Uma de cada vez.

Por cá, chegou essa pequenina brisa. Puxada a ferros, mas escolhi-a.
Tenho muito em mim esta constante necessidade da mudança de chip. Falta-me [muitas vezes] esse tal impulso. Temos em nós a espectacular necessidade do queixume. Tudo está mal. Vai tudo mal. Quando o percebi, escolhi mexer-me. Abrir mão da pedra no prato da balança que mais me interessava: tirei o pé do chão, fechei os olhos, apertei a mão de quem mais gosto, limpei o pó dessa roldana chata de tanto parada e agi.

Para já, vou esperando e vivendo todo o nervosismo como uma aprendizagem. Está quase 🙂

La Femme & Co

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